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Adoração, Modismo ou Necessidade?


Parece-me que adoração é a palavra mais utilizada no meio evangélico, nestes dias.
É um dos temas mais presente nos hinos que estão sendo executados nas rádios, está presente em capas de livros, em matérias de revistas, é pronunciado em reuniões nos templos e tema de sermões e artigos. Se fizermos uma pesquisa na internet, vamos encontrar uma grande variedade de links com as palavras adoração, adorar ou adorador. Livros e Bíblias têm sido lançados e muitos seminários e congressos são realizados sob esta temática.Vemos a necessidade de refletir sobre isto e perguntar: trata-se apenas de uma “onda” do momento, influenciada pela temática da maioria das canções evangélicas, embalada pela indústria e que, como outros modismos, têm “prazo de validade” e trata-se de algo passageiro, ou, de fato, é uma resposta ao anseio de uma geração que quer experimentar uma vida de mais intimidade com Deus? Trata-se de um modismo ou de uma necessidade real da igreja?
Se estivermos falando apenas de uma liturgia mais “alegre” e emotiva, em reuniões nas quais as pessoas são convidadas a se envolver de forma mais dinâmicas, batendo palmas, levantando as mãos, gritando de forma entusiasmada, ou ajoelhada, com as mãos postas, ou mesmo prostradas ao solo, como que em êxtase, tomadas pela emoção do momento, pelas palavras envolventes dos que “ministram” e embaladas pelas canções que fazem grandes declarações de amor a Deus, talvez estejamos falando apenas de um modismo.Se o comportamento deste “adorador” é apenas nestes momentos sugestivos, mas, saindo dali, sua vida continua a mesma, sem uma busca por momentos de intimidade com Deus, no seu cotidiano, se a sua leitura da Bíblia será apenas no próximo culto e os seus momentos de quebrantamento são restritos aos “cultos de adoração”, e o seu próximo encontro na “sala do trono” será apenas quando tiver outra reunião como aquela, então estamos falando apenas de um modismo; de uma forma de culto, que muitas vezes representa apenas um método que está dando certo, até que seja substituído por outro.Se estivermos falando apenas das músicas, cujas letras convidam para uma adoração ao Senhor, que falam de momentos de intimidade com Deus, por vezes até sugerindo situações de intimidade humanas, que mais parecem uma canção romântica, não levando em consideração que somos filhos e Deus é nosso Pai, mas também é Deus; se falamos de canções que falam de quebrantamento, mas que são cantadas sem nenhum compromisso, então falamos de um modismo.Se o adorador está cantando, com muita determinação, dizendo: eu estou disposto a morrer por ti, ou abro mão dos meus sonhos... abro mão da minha vida por ti, e não tem, de fato, esta disposição,está apenas repetindo uma letra vazia, sem significado. Se canta canções que dizem:a tua presença é o meu prazer, ou mesmo:tudo o que eu quero é te adorar, ou ainda:farei o que for preciso para te ver” e não busca desenvolver uma vida de adoração, de oração, de ter momentos dedicados ao diálogo com Deus, mas gasta maior tempo com a TV ou a Internet do que com sua vida devocional, não está sendo sincero, em sua adoração.Se está cantando “que diminua eu, para que tu cresças, Senhor!, ou quero me esvaziar de todos os meus títulos e de tudo o que me afasta de ti, mas está pensando no sucesso de sua “carreira ministerial e procura aparecer e estar sempre em evidência - até porque “quem não é visto, não é lembrado” - está falando de uma realidade que é muito distante da sua; assim como há pregadores que pregam o que não vivem, este adorador canta o que não faz.Não quero aqui criticar os autores dos hinos ou os que os cantam nas igrejas, mas mostrar que, se estamos cantando este tipo de hino apenas porque são os sucessos do momento e escolhemos cantá-los nas nossas reuniões porque são os que agradam os jovens e serão um atrativo a mais para os nossos cultos, então estamos falando apenas de um modismo, de uma tendência musical e literária que tem um prazo de validade determinado.Se estivermos falando de seminários e congressos que convidam preletores famosos, pagando altos cachês, os quais estão interessados em engordar a sua conta bancária e usam e abusam de técnicas de manipulação de auditório para prender a atenção dos ouvintes, exagerando nos gritos e nos “efeitos especiais”, para apresentar uma imagem de espiritualidade, que nem sempre possuem, e falam sobre o tema “adoração” apenas porque é o que mais tem despertado o interesse da maioria, então isto é apenas um modismo barato e ilusório.Se estivermos falando, entretanto, de um sentimento de desejo real por uma vida de intimidade com Deus, longe dos holofotes e dos palcos, que leve o adorador a um constante quebrantamento e submissão a Deus, através de uma vida de oração, busca e entrega, que o faça crescer em relacionamento íntimo com o Senhor, despertando um maior desejo de conhecê-lo e de engrandecer o seu nome, acima de todas as coisas, independente de estar, ou não, participando de uma reunião cuja liturgia seja propícia a isto, então estamos falando de uma real necessidade.O que devemos ter, em primeiro lugar, em nossa mente, é que uma vida de adoração é uma necessidade de todo cristão, desde que o homem deseja aproximar-se de Deus. Todos os homens e mulheres que quiseram ter uma vida de comunhão e intentaram, em seus corações, buscar a Deus, desenvolveram uma vida de oração, de quebrantamento e de adoração. Desde Abel até os dias de hoje, passando pelos “heróis da fé” do Antigo Testamento, pelos discípulos, nos primórdios da igreja, pelos reformadores e os que foram impulsionados por Deus no início do movimento pentecostal, todos experimentaram este desejo.Isto nos leva a perceber que a verdadeira adoração não é apenas um tema de canções ou uma dinâmica utilizada nos momentos de louvor, nas igrejas, onde as pessoas levantam as mãos, erguem os braços, cantam e choram. Não diz respeito apenas a estes momentos de quebrantamento ou entusiasmo coletivos. Adoração é um estilo de vida, um relacionamento constante com Deus e representa uma busca perene por agradar, conhecer e experimentar maior comunhão com o Senhor.Quando lemos sobre a vida dos grandes homens de Deus da história da igreja, que dedicavam muitas horas do dia ou da noite em intensa oração, que, mesmo sem a oportunidade de freqüentar uma escola de teologia ou de matricular-se em um seminário, ou de ter uma formação acadêmica, dedicavam horas à leitura e ao estudo da Bíblia, buscando conhecer o Senhor, e quando percebemos como buscavam a orientação de Deus para todas as coisas que intentavam fazer, e estavam em constante comunicação com Deus, quer andando, quer fazendo as tarefas diárias, quer nos seus momentos na igreja, então percebemos que esta é a vida de verdadeira adoração, da qual necessitamos.Qual o destaque quando observamos a vida de homens como Jonathan Edwards, Charles Finney, John Wesley, Gunnar Vingren e tantos outros? Sua vida de adoração e intimidade com o Senhor. Qual o segredo do sucesso de John Hide, Rees Howels e George Müller, os quais realizaram grandes feitos para o Senhor? A adoração como um estilo de vida e de total dependência no Senhor. O que levou Charles Wesley, Lutero e outros a comporem os mais belos hinos ainda hoje são cantados pelas igrejas? As muitas horas de oração e busca na presença do Senhor.Quando observamos um irmão, novo convertido, buscando o batismo com o Espírito Santo, percebemos seu desejo por experimentar o poder de Deus na sua vida. Ele busca ao Senhor, evita qualquer atividade que possa atrapalhar seu relacionamento com Deus, procura estar nas reuniões de oração, nas quais ora com intensidade, desejoso de ser batizado. Os irmãos que o auxiliam, nestes momentos, o incentivam, a fim de que ele engrandeça ao Senhor, para que receba. E este incentivo é no sentido de que ele exalte a Deus e o adore.O apóstolo Paulo recomenda, na epístola aos crentes de Éfeso: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). Ele estava ensinando aos cristãos que eles deveriam estar completamente cheios do poder do Espírito Santo; mas, se pararmos a leitura aqui, não perceberemos o apóstolo orientando como isto pode acontecer; ele prossegue: “falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (vs. 19 e 20). Ou seja, quando estimulamos os que estão buscando o batismo, dizendo: “dê glória a Deus!”, estamos falando sobre o assunto que o apóstolo Paulo estava ensinando: o que leva o crente a ser cheio do Espírito Santo? A adoração!Quando o Senhor Jesus orientou aos discípulos sobre a descida do Espírito Santo, mandou que ficassem em Jerusalém, aguardando a promessa. E por que deveriam ficar na cidade de Jerusalém? Por causa da presença do Templo, que era o local de adoração dos judeus. Foi o que Jesus disse á mulher samaritana. Ela estava ansiosa por descobrir qual o lugar correto para adoração; em Jerusalém ou em Samaria? Jesus lhe disse: “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Jerusalém era o lugar da adoração. Como, porém o templo seria destruído e cada crente seria um templo, um lugar de habitação de Deus, Jesus disse: “Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.21,23). O segredo do batismo com o Espírito Santo é a adoração!Precisamos, com muita urgência, de pessoas que desejem viver uma vida de verdadeira adoração. Não apenas nos momentos de cânticos, nas igrejas, mas em todos os momentos da vida. Nos afazeres domésticos, na escola, no trânsito, no trabalho ou em qualquer outro lugar, buscando o Senhor, orando e exaltando-o todo o tempo. Precisamos dedicar tempo ao Senhor e desejar ardentemente a sua presença, não apenas nas “reuniões de adoração”. Adoração como um estilo musical e nos gestos pode ser um modismo que influencia a muitos; adoração como um estilo de vida é uma necessidade urgente da igreja.

Márcio Klauber Maia é Evangelista da Igreja Assembléia de Deus em Natal-RN,
Presidente da UMADEN,
professor da ESTEADEB-RN.
Autor do livro "O Caminho do adorador", publicado pela CPAD
É casado e pai de quatro filhas.

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